Desenvolvimento Sustentável
Vou mostrar a você como muitas das notícias nascem. E vou mostrar que não precisamos de um Código Florestal Estadual para manter as nossas propriedades produzindo dentro da legalidade.
Recebi por email uma entrevista com um senhor chamado Décio Sonaglio, que segundo o material foi escolhido representante de diversas instituições, entre elas Osesc, Faesc, Fecoagro e Fetaesc para promover a integração das entidades na promoção do “Código Ambiental Estadual de Santa Catarina”.
O material não trazia a fonte da entrevista, o nome do jornalista ou veículo a que estivesse ligado. Descobri a entrevista publicada em alguns sites, incluindo uma rádio, da mesma forma, sem as informações que apontassem a sua origem. Fui atrás e descobri que o material foi distribuído aos veículos de comunicação por uma assessoria de comunicação de Blumenau.
Sobre o conteúdo da suposta entrevista, numa primeira leitura já se percebe que se trata de uma peça de marketing institucional, afinal, nenhum jornalista isento iniciaria a pergunta com um “De forma oportunista, alguns ambientalistas relacionaram…” Um jornalista sério não demonstraria tal falta de isenção e buscaria uma postura neutra.
Pra mim ficou a impressão de que o lobby das entidades acima “construiu” uma entrevista e a assessoria, contratada pelo lobby ou não, tratou de espalhá-la por aí, para que veículos de comunicação “menores” mordessem a isca.
Bom, a pseudo entrevista critica fortemente as leis ambientais nacionais em favor da aprovação do Código Florestal Estadual. A maior justificativa é de que a aplicação da atual lei ambiental nacional coloca 40% dos produtores de suínos e aves e 60% dos produtores de leite de Santa Catarina na ilegalidade, além de inviabilizar mais de 30 mil pequenas propriedades rurais.
O representante diz que não é possível aplicar o mesmo código de leis na Amazônia e no modelo fundiário catarinense, composto por uma estrutura fundiária formada por pequenas propriedades rurais familiares. Afirma que o agronegócio catarinense é um dos melhores modelos de organização da cadeia produtiva do agronegócio baseado na pequena propriedade familiar rural e que nos últimos anos os pequenos produtores trabalharam muito pra reverter os equívocos cometidos nas últimas décadas.
Ao que parece não é bem assim, já que não se conseguiu adequar aos códigos ambientais nos quase 50 anos que se passaram a partir do inicio da sua criação. Pelo menos na nossa região, não é isso que podemos observar quando andamos pelas propriedades rurais.
Aqui em Indaial, em quase todo o Vale do Itajaí, existem roças quase dentro dos rios, seja para o cultivo de hortaliças, de grandes roçados de mandioca ou para o cultivo do trato do gado, é difícil encontrar a cobertura vegetal adequada de mata ciliar às margens dos rios. Um produtor tem na sua propriedade 70 cabeças de gado e não pensa 2 vezes em derrubar a mata para plantar também nas margens do rio, que morre um pouco mais a cada ano, às vistas de quem quiser ver. Os pastos também avançam morro acima a cada ano, só não vê quem não quer.
As leis ambientais não colocaram essas propriedades na ilegalidade ontem, colocaram há quase 50 anos. E 50 anos depois eu pergunto, vamos terminar de matar nossos rios e matas para colocar na legalidade os ilegais? Será que os quase 50 anos de existência do código florestal foi pouco tempo para que essas famílias adequassem suas vidas a uma existência de respeito ao meio ambiente? Será que os filhos e netos dos produtores da época não aprenderam nada?
A tentativa do governo estadual de criar um Código Florestal próprio, O que o governo estadual está buscando com a criação de um Código Florestal Estadual é legalizar o ilegal. Legalizar a degradação em vez de o estado investir em programas de modernização das pequenas propriedades, tornando-as menos coloniais e mais produtivas com menos necessidade de recursos naturais.
Contamos com exemplos de outras partes do mundo onde pequenas propriedades são até 10 vezes mais produtivas que uma propriedade 2 vezes maior na nossa região sem degradar ou agredir o ambiente a sua volta.
Não é uma questão de inviabilizar o pequeno produtor, mas de viabilizá-lo. Nosso governo estadual deve criar programas para modernizar os processos de produção das pequenas propriedades rurais familiares ao invés de distorcer as leis ambientais em nome da sustentabilidade do agronegócio em Santa Catarina. Este sim seria um progresso a se comemorar. Dinheiro não falta pra isso, o que falta é vontade de mudar, falta vontade de deixar o “colono” pra trás e se transformar em um “produtor” moderno, mesmo que pequeno.

















Pois, caro Junior, por vezes parece que a força está do lado de quem não tem razão, embora tenha o poder de dicidir.
Muitas vezes os problemas são adiados e agravados, em vez de resolvidos. Mais tarde ou mais cedo nós vamos pagar por isso…
Um abraço.
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